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O equívoco do progressismo



O progressismo é a ideologia e a prática política dominante em nossa época. As elites econômicas, as classes políticas e, principalmente, o sistema cultural e midiático impulsionam um conjunto de imagens, símbolos e ideias atreladas a uma visão emancipadora, “libertária” e permissiva do homem e da sociedade. Não há como negar e ocultar este fato; basta assistir a um programa televisivo, ouvir uma música da moda ou navegar pelos sites mais famosos da internet para perceber esta realidade. Raríssimas são as ocasiões nas quais novelas, filmes, romances, peças publicitárias, encenações teatrais e outras manifestações culturais exaltem e façam uma referência positiva à ideia de nação, à importância da família e da religião, ao valor do passado e da tradição. O contrário disto é que é a regra.


A ideologia progressista baseia-se num erro essencial: a negação das exigências fundamentais da vida humana, ou melhor, o rechaço radical das necessidades antropológicas elementares. Para os apóstolos destas ideias desenraizadoras, tudo o que corresponde aos aspectos vitais e primordiais da existência cultural deve ser neutralizado e dissolvido em prol de uma suposta libertação da individualidade.

Exigências culturais e antropológicas básicas como a ligação com uma pátria e/ou o vínculo com uma identidade nacional são tomadas como um sinal de ultraconservadorismo. Além disso, a relação do homem e das sociedades com o passado, com as tradições culturais e com a religião são concebidas como algo abominável, um indício de extremismo de direita e “reacionarismo retrógado”.


Como consequência disto, para os intelectuais e militantes progressistas, a escola e os demais espaços de ensino e cultura já não são mais vistos como lugares de transmissão de saber e formação do espírito. Isto é concebido como elitismo. Enfeitiçados por ídolos como a tolerância, a abertura ao outro, os direitos humanos, o igualitarismo, e o culto à diversidade e às minoras, os pregadores de uma sociedade sem fronteiras e limites físicos e morais, acabam por desmantelar o espírito de resistência dos povos.


Conforme afirma a filósofa francesa Bérénice Levet, o progressismo fundamenta-se em postulados antropológicos equivocados, que, resumidamente, engendram um tipo humano mutilado e atrofiado em relação às possibilidades mais altas e nobres da existência. Antropologia unilateral e deformadora que, dentre outras falhas, enaltece as virtudes emancipadoras de uma vida sem filiações, raízes e identidades fortes.


Não há ser humano e cultura ao longo da história que não sinta a necessidade essencial de um lar, de um espaço físico próprio, de uma paisagem cultural particular e de uma ligação profunda com os seus familiares, pais, antepassados, heróis e personalidade magnânimas fundadoras. É uma exigência antropologia básica o cultivo, a ritualização e simbolização das forças espirituais primordiais que estabeleceram nas origens uma nação, cultura ou civilização; bem como a transmissão dos saberes e práticas essenciais que propiciam a formação e ordenação das individualidades.


O progressismo compreende como um obstáculo à emancipação justamente os princípios e realidades que humanizam o homem, que o enraízam em uma pátria e família, e o conectam verticalmente com o sagrado e o transcendente, isto é, com estas “fortalezas, muros e torres” que protegem, amparam e fixam o humano. Estes pontos de apoio, verdadeiras âncoras, combatidas diuturnamente pelo progressismo, são precisamente os recursos culturais e espirituais, o depósito de experiências e as fontes de estabilidade, inspiração e sentido que dão à vida humana certa solidez, equilíbrio e vitalidade. Sem isto somos como homúnculos errantes vivendo numa estado permanente de estupidez e amnésia pessoal e coletiva. Estejamos atentos e conscientes: os que derrubam as cidadelas são os novos bárbaros.






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